domingo, 30 de agosto de 2009





Abriu uma garrafa de vinho tinto

Colocou sobre a mesa – minto,
Colocou sobre o tapete – em frente
E ainda sentada estendeu a mão
Que alcançou a taça, do balcão
E serviu-se novamente.
Correu os dedos pelas bordas da taça
E como se tocasse lábios, devassa
Secou num gole a bebida
E voltou à garrafa, olhando-a intendente.
Viu tua face em pranto constante
E sorriu pela partida.
Quando abriu o vinho era comemoração
Mas tudo virou dor e decepção
Lágrimas plantadas na face ruborizada
Então, ficou solitária, lamentando
A partida, sozinha...chorando
A falta de ser verdadeiramente amada.
Olhou o vidro transparente
E teve vontade de que a  bebida  fosse gente
E o vidro, palavras do coração
Mas, triste, contraposta em meio ao chorar
Percebeu que era pouco o vidro do próprio olhar
E fechou mais ainda a mão!
A taça estraçalhou ...Mil partes ...
Da alma fenderam o chão - obras e artes
Mil partes do vidro ficaram espalhadas
Pelo carpete branco - misturadas à bebida
E olhando os cacos, comparou-se inibida
Ambas estavam estraçalhadas...
O olho correu a sala vazia
O mundo inteiro rodou em agonia
As nuvens de lágrimas embaçavam a visão
E num suspiro profundo e dolorido
Levantou-se e pisando sobre o vidro
Secava as lágrimas com a mão.
Andou até o quarto- acabada!
Parou diante da porta fechada
E chorou
Como uma menina perdida
Com a alma inteiramente ferida
Por completo se derramou...
Quando abriu o vinho era comemoração
Mas tudo virou dor e decepção
Lágrimas plantadas na face ruborizada
Então, ficou solitária, lamentando
A partida, sozinha...chorando
A falta de ser amada.
Sentia-se  bem menos que os cacos do chão
Era menor que o vidro estilhaçado na mão
Feria da mesma forma, mas não sofria
A casa bela escondia sua fraqueza
Tinha tudo, muitos apaixonados pela sua beleza
E somente ela não amava, não retribuía...
Todos  ficavam encantados
Todos apaixonavam-se , eram enredados
E no final, virava solidão
A moça era como vinho no carpete
Marcava os homens, como a cor no tapete
Mas considerava-os depois de tudo, vãos!
Nada poderia ser tão doloroso e cruel
Quanto o gotejar do coração em poças de fel
E nunca saber o que é mesmo amar
Chorava em desespero é verdade
A falta que sentia, como uma saudade


De nunca – por um amor -  se entregar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário